Magnetismo e Passe

 

O passe não é magia, não está ligado a ritualismos, não é dogmatismo. O passe consiste na transmissão, normalmente através das mãos, de fluidos do corpo físico do passista, da Natureza ou do Espírito operante para o assistido, atuando sobre os centros vitais, situados no seu perispírito ou corpo astral. O passe objetiva cura ou alívio, através do reequilíbrio orgânico, perispiritual e psíquico do assistido, além  de auxiliar nos tratamentos espirituais e desobsessivos. Denominamos o cooperador que aplica o passe de médium passista, por ser ele o intermediário dos Espíritos especializados e responsáveis por essa atividade no plano espiritual. O passista é um voluntário que se submete a um treinamento na própria Casa e a uma preparação física e espiritual antes de atuar no atendimento ao público. A aplicação dos passes é realizada em cabine especial situada ao lado do auditório, após as reuniões públicas. Qualquer pessoa pode receber um passe. Doenças do corpo físico, problemas emocionais e psicológicos são alguns sintomas indicativos para a terapia fluídica do passe.

 

Para entender um pouco mais sobre o passe, vamos primeiramente fazer uma pequena revisão sobre a história do Magnetismo Animal, que contribuiu de forma significativa no que hoje conhecemos através da Doutrina Espírita.

 

BREVE CONCEITO SOBRE PASSE

 

Quando duas mentes se sintonizam, uma passivamente e outra ativamente, estabelece-se entre ambas, uma corrente mental cujo efeito é o de plasmar condições pelas quais o "ativo" exerce influência sobre o "passivo". 

 

A esse fenômeno denominamos magnetização ou passe. Assim, magnetismo é o processo pelo qual o homem, emitindo energia do seu perispírito, age sobre outro homem, bem como sobre todos os corpos animados ou inanimados.

 

Temos, portanto, que o passe é uma transfusão de energia do passista e/ou espírito para o receptor/assistido. Pode-se dizer que é uma transfusão fisio-psíquicas, que resulta na troca de elementos vivos e atuantes, recurso fundamental para rearmonização energética do perispírito. Podemos dizer que o passe atua diretamente sobre o perispírito, agindo de três formas diferentes:

 

- Mecanismo de assepsia: na limpeza do campo vibratório do paciente para o recebimento de energias salutares. Facilitando até a maior absorção dessas energias.

- Revitalizador ou Ativante: compondo as energias perdidas.

- Dispersante: Eliminando os excessos e distribuindo de uma maneira igual os fluidos doados ao longo do campo vibratório e por todos os chacras ou centros de força.

 

O passe auxilia assim, na cura das enfermidades, a partir do reequílibro energético do perispírito.

 

CENTROS DE FORÇA OU CHACRAS

 

Locais especiais tanto no aspecto físico quanto espiritual, os centros de força são semelhantes aos chacras da medicina oriental, pelos quais o corpo pode absorver e usar as energias espirituais para atingir o bem-estar e elevar seu padrão vibracional e evolutivo.

A palavra "chacra", originária do sânscrito, quer dizer "roda" ou "pires" que, em seus movimentos vorticosos, forma uma depressão no centro. Portanto, seu significado etimológico é "disco giratório". Os chacras são pontos de conexão pelos quais a energia flui de um corpo a outro. Os fluxos energéticos criam vórtices ou redemoinhos, aproveitando essa entrada para atravessarem o perispírito e o duplo etérico e passarem para o organismo físico.

Inicialmente, cumpre destacar que a terapêutica espírita que denominamos em geral fluidoterapia, mencionada por Kardec em vários artigos da Revista Espírita, fundamenta-se no magnetismo desenvolvido por Mesmer, no século 18, e posteriormente por seus seguidores.

Estudiosos do magnetismo se referem ao magnetismo mineral, vegetal (polarização das plantas), animal (comum a todos os seres vivos) e humano, este último superior aos demais, pois pode ser manipulado segundo a vontade do indivíduo. A idéia de magnetismo humano corresponde com exatidão aos princípios do conceito espírita de fluido vital.

Segundo disse Kardec, os fluidos que doamos pelos passes, são absorvidos de forma mais eficaz se forem direcionados através das mãos às regiões dos plexos, que são zonas de maior concentração de terminações nervosas do corpo físico e onde estão localizados os centros de força do perispírito.

 

A comunicação entre os chacras acontece através de condutos conhecidos como "meridianos", por onde flui a energia vital alterada. O tamanho dos chacras depende do desenvolvimento espiritual e das vibrações que emitimos.

 

Lembramos ainda que, nas doutrinas orientalistas, os centros de força são principais e secundários. Os principais são aqueles que conhecemos (divergindo os autores que os citam quanto ao seu número exato), mas os secundários são citados em tais doutrinas como sendo em número muito elevado e distribuídos por todo o corpo energético (coincidindo com o conceito de “poros espirituais”, citado por Kardec, que não cita expressamente os centros de força). É a base da acupuntura e outras terapias, que inclusive trabalham com os centros secundários localizados em várias regiões.

 

Então, considerando que são sete o número de chacras mais importantes, temos: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, esplênico, gástrico e genésico.

Chacra Coronário

Situado no alto da cabeça e conhecido entre os hindus como "lótus de mil pétalas", o chacra coronário se relaciona materialmente com a epífise (ou pineal). É o chacra mais importante, pois nos liga com o plano espiritual e é através dele que captamos as energias espirituais, além de ser o centro de forças de maior potencial e radiação, responsável por sediar a consciência do espírito.

Chacra Frontal

O chacra frontal fica entre os olhos e se relaciona com os lobos frontais do cérebro e a hipófise (ou pituitária). É o chacra dos sentidos, atuando diretamente sobre a hipófise e, também, na área do raciocínio e da visão. Por isso, diz-se que ele é o responsável direto pelo funcionamento dos centros superiores intelectivos, bem como do sistema nervoso central. É também um dos chacras responsáveis pela vidência e intuição no campo da medi unidade, já que, através dele, emitimos nossa energia mental e possui mos o comando dos poderes psíquicos. Quando abundante de fluido vital e em boa atividade com os outros chacras, confere ao homem encarnado e desencarnado a faculdade de aumentar ou diminuir seu poder visual.

Chacra Laríngeo

O chacra laríngeo, situado à altura da garganta, se relaciona com o plexo cervical e às glândulas Tireóide e Paratireóides, sendo responsável pela saúde das áreas fonéticas e auditivas, vias respiratórias e certas glândulas endócrinas. Suas mais importantes funções são sustentar e controlar as atividades vitais e o funcionamento das glândulas Tireóide e paratireóide, estabilizando definitivamente a voz da criatura após a puberdade. É um chacra que influi bastante nos demais centros de forças e nos plexos nervosos do organismo humano, pois o ato da materialização das idéias através da fonética é um fenômeno que concentra todas as forças etéreo-magnéticas do perispírito, atuando em vigorosa sintonia com os demais centros energéticos reguladores das funções orgânicas. Além disso, permite que os espíritos transmitam mensagens psicofônicas por seus canais.

Chacra Cardíaco

Responsável pelo equilíbrio, intercâmbio e controle da emotividade, o chacra cardíaco está localizado na região do coração e está relacionado à glândula Timo. Sua função é permitir o fluxo das informações sentimentais e emotivas. Estando em equilíbrio, esse chacra permite à pessoa ser muito lúcida em seus sentimentos e suas emoções, confirmando a velha tradição de que estes são gerados no coração do homem. Quando é bem desenvolvido, ele favorece a consciência ou a percepção instantânea das emoções e intenções alheias.

Chacra Gástrico

O chacra gástrico está ligado ao Pâncreas. De natureza rudimentar, é responsável pela assimilação e metabolização dos alimentos que o homem ingere, pelo funcionamento do aparelho digestivo, pela assimilação de elementos nutritivos e pela reposição de fluidos em nossa estrutura física. Quando este chacra é muito desenvolvido, o homem aumenta sua percepção das sensações alheias, pois adquire um tato instintivo ou uma sensibilidade espiritual incomum que o faz perceber todas as emanações hostis existentes no ambiente onde atua e, também, as vibrações afetivas que pairam no ar.

Chacra Esplênico

Ligado materialmente ao baço e fígado, o chacra esplênico é a principal porta de entrada de energia vital, além de regular tanto a distribuição e circulação dos recursos vitais como a formação e reposição das defesas orgânicas através do sangue. É o mais importante centro energético de vitalização do corpo físico. Quando nos desvitalizamos, sentindo-nos fracos, isso indica que este chacra está com mau funcionamento. As pessoas que tem o chacra esplênico embotado são muito nervosas, incomodam-se com tudo, além de serem vampiros de energia, pois não conseguem se energizar sozinhas. Ele é importante também para os médiuns que dão passes magnéticos, pois parte dos fluidos provém de nossa vitalidade. Pessoas que têm o chacra esplênico muito desenvolvido podem ser médiuns curadores.



Chacra Genésico

Por fim, temos o chacra genésico, ligado aos ovários ou testículos, situado na base da espinha dorsal, sobre a região sacra. Responsável pelos órgãos de reprodução e emoções sexuais, atua sobre a coluna vertebral, sistema central e periférico e em todo o aparelho urinário e reprodutor. Este chacra é o mais primitivo e singelo de todos em sua manifestação, um dos principais modeladores das formas e dos estímulos da vida orgânica. A pessoa que abrir o chacra genésico prematuramente dará entrada a uma torrente de energia tão poderosa que irá alimentar todas as paixões e os desmandos, o orgulho poderá explodir e o recalque sensual dominará de tal maneira que realizará os piores caprichos e ações sobre o próximo. Em desequilíbrio, pode levar o homem à loucura, pois sua ação muito forte acirra o desejo sexual, semeando a satisfação aberrativa. A energia vitalizante não utilizada nas emoções sexuais superiores e no desenvolvimento do intelecto deve ser aproveitada na prática de esportes, com o intuito de não causar distúrbios sexuais inferiores e não ativar maus sentimentos.

 

TIPOS DE PASSES

Os passes podem ser classificados em três categorias: Passe magnético, Passe espiritual e Passe misto. Se pudermos abrir um parênteses, aproveitamos o esclarecimento para dizer que ocorre o mesmo em relação à fluidificação das águas. Vejam as figuras:

 



 

a) Passe magnético

É um tipo de passe em que a pessoa doa apenas seus fluidos, utilizando a força magnética existente no próprio corpo. Pelo menos em tese, qualquer criatura pode ministrá-lo (como a ciência tem comprovado através dos trabalhos no campo do Magnetismo Animal). No caso do homem, as qualidades magnéticas desta transferência de energia variam segundo a condição moral do passista, sua capacidade de doar fluidos e seu desejo sincero de amparar o próximo.
 

No passe magnético, geralmente se recebe assistência espiritual. Isso acontece porque os Espíritos superiores sempre ajudam aqueles que, imbuídos de boa vontade, atendem aos mais carentes.
 

Lembramos aqui, que o socorro dos Benfeitores é independente da crença que o passista ou magnetizador possa ter em Deus ou na Espiritualidade. Os Espíritos disseram a Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns", questão 176 :


"...muito embora uma pessoa desejosa de fazer o bem não acredite em Deus, Deus acredita nela".


b) Passe espiritual

É uma espécie de magnetização feita pelos bons Espíritos, sem intermediários, diretamente no perispírito das pessoas enfermas ou perturbadas. No passe espiritual o necessitado não recebe fluidos magnéticos de médiuns, mas outros, mais finos e puros, trazidos dos planos superiores da Vida, pelo Espírito que veio assisti-lo.
 

Pelo fato de não estar misturado ao fluido animalizado, o passe espiritual é bem mais limitado que as outras modalidades de passes. Com isso, pode-se compreender que os recursos oferecidos nas reuniões públicas de Espiritismo, onde participam grande quantidade de encarnados e Espíritos desencarnados, são bem maiores do que aqueles que podemos contar em nossas residências, só com a ajuda do anjo guardião.

c) Passe misto

É uma modalidade de passe onde se misturam os fluidos do passista com os da Espiritualidade. A combinação é muito maior do que no passe puramente magnético e seus efeitos bem mais salutares. Este é o tipo de passe que é aplicado nos centros espíritas, contando com a ajuda de equipes espirituais que trabalham nessa área, para ajuda dos necessitados.
 

Os benfeitores espirituais trabalham no momento do passe, atendendo aos encarnados e também ministrando eficiente socorro às entidades do plano espiritual. Eles agem aumentando, dirigindo e qualificando nossos fluidos.
Mas para que se possa contar sempre com a ajuda dos bons Espíritos, é necessário observar os cuidados sobre a depuração íntima de cada um dos que estão imbuídos do desejo de fazer o bem.


"...Para curar pela ação fluídica, os fluidos mais depurados são os mais saudáveis; desde que esses fluidos benéficos são dos Espíritos superiores, então é o concurso deles que é preciso obter. Por isto a prece e a evocação são necessárias. Mas para orar e, sobretudo, orar com fervor, é preciso fé. Para que a prece seja escutada é preciso que seja feita com humildade e dilatada por um real sentimento de benevolência e de caridade. Ora, não há verdadeira caridade sem devotamento, nem devotamento sem desinteresse" 

(Allan Kardec - Revista Espírita, Janeiro, 1864).

 

A TÉCNICA DO PASSE ESPÍRITA

Há uma certa discussão no meio espírita sobre como deveria ser aplicado o passe. Alguns defendem a tese de que os passes deveriam ser ministrados movimentando-se as mãos ao redor do corpo do indivíduo, de modo que as energias espirituais pudessem melhor atingir seus objetivos de cura, conforme as orientações inspiradas pelos estudos de Mesmer. Outros, acham que o ato de apenas impor as mãos sobre a cabeça de quem vai receber o passe já é suficiente. André Luiz nos informa em "Conduta Espírita" que o passe dispensa qualquer recurso espetacular. José Herculano Pires, no livro "Mediunidade", diz que o passe é tão simples que não se pode fazer nada mais do que dá-lo.

Allan Kardec, referindo-se ao assunto na Revista Espírita, número de Setembro de 1865, diz aos médiuns que: "Apenas sua ignorância lhes faz crer na influência desta ou daquela forma. Às vezes, mesmo, a isto misturam práticas evidentemente supersticiosas, às quais se deve emprestar o valor que merecem".

Oficialmente, a Doutrina Espírita não prescreve uma metodologia para o passe. Cada grupo é livre para se posicionar de um modo ou de outro, desde que sem exageros. Cada grupo deve ter o bom senso de trabalhar da forma que achar mais conveniente desde que dentro de uma fundamentação doutrinária lógica.
 

O que é preciso levar em conta é que nenhuma das duas formas de aplicar o passe surtirá efeito se o médium não tiver dentro de si a vontade de ajudar e condições morais salutares para concretizá-lo. Mesmo que se aplique a melhor metodologia, não se conseguirão bons resultados se o passista for pessoa de má índole.

 

Aquele que deseja saber mais sobre o passe e o magnetismo pode encontrar mais informações nos cursos oferecidos pelas casas espíritas, livros e palestras.

 

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